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Chica da Semana

Um bate-papo com Aline Bei, a jovem e premiada autora brasileira que você precisa conhecer

Por Paula Medeiros

Fotos:  Juliana Lubini

Você pode se apresentar brevemente para as chicas, Aline?


Claro! Meu nome é Aline Bei, tenho 32 anos e nasci em São Paulo.  Sou escritora e por enquanto só tenho um livro publicado: O Peso do Pássaro Morto. Estou terminando de escrever o segundo. Gosto muito de ler, ir ao cinema, ao teatro. Também adoro andar de patins, talvez porque eu não saiba correr.   


Você teve algum outro desejo ou seguiu outro rumo profissional diferente até se encontrar na escrita? Teve alguma experiência marcante que te fez decidir que você queria ser escritora?


Eu fui atriz, era algo que eu adorava fazer, mas trabalhei na área por muito pouco tempo. Quando entrei na faculdade de Letras, acabei migrando para a literatura com força. 


Como você sabe, O peso do pássaro morto é nosso querido livro do mês aqui no Chicas, e estamos muitos animadas em divulgar seu trabalho! Como você descreveria às nossas leitoras a história que narra em seu livro? Uma breve sinopse em suas palavras.

É um livro sobre o verbo "perder" ocupando o corpo de uma mulher que vai envelhecendo, não só pelo tempo, mas também pelas dores que precisa suportar. 


Conta para gente um dia típico de sua rotina. Escreve todos os dias?

 
Sim. Eu escrevo de manhã, até umas duas da tarde. Depois eu embrulho os Pássaros que vendi no dia anterior e vou aos correios. Na volta, eu vendo pelas redes sociais os Pássaros do dia seguinte. 


 O que mais mudou com o lançamento do livro no seu dia a dia?


As minhas tardes e noites foram tomadas por ele, isso porque eu vendo meu livro pela internet. Também os eventos que faço em diversas cidades.  


Sendo mulher e jovem, você acha que teve uma boa recepção do público e do meio literário? Como tem sido essa experiência para você? Conhece e convive com muitas outras mulheres na área?


Sim, o Pássaro tem sido acolhido por muitos leitores. Isso me alegra, eu não sabia que teria uma recepção tão calorosa, afinal meu trabalho é bastante experimental. Conheço muitas autoras, editoras, artistas e o mais legal é que  tenho conhecido cada vez mais, tanto pela  internet, quanto pelos eventos que faço. 


Que conselhos você daria para mulheres jovens que sonham em se dedicar à escrita também? Acho que tem várias por aqui lendo essa entrevista, inclusive…


Não desista. Leia e escreva muito. Cultive um tempo de ócio e solidão. Use suas redes sociais para divulgar seu trabalho, participe de saraus, conheça  e apoie as mulheres que estão escrevendo hoje. Participe de uma oficina de escrita. Ou de várias. 
 

Você parece muito próxima de seus leitores e pessoas que admiram o seu trabalho. Você já tinha um público fiel antes do livro? Como construiu uma relação com eles?


Eu tive um site de arte e cultura com dois amigos da faculdade. E por conta disso, também dos textos que eu escrevia e divulgava na internet, algumas pessoas já conheciam o meu trabalho. Com o livro, a rede de leitores se expandiu. E como sou eu mesma que vendo o Pássaro, eu fico muito próxima dos leitores. Adoro que seja assim.  


A gente sabe que um livro é algo que surge depois de muita dedicação. Como começou esse processo? E quanto tempo levou entre decidir escrever e terminar o livro? 


Eu comecei a escrever o Pássaro depois de ter feito uma oficina de escrita do Marcelino Freire em 2015. Eu já estava escrevendo há bastante tempo e percebi que era um bom momento para publicar. Mas eu não queria estrear com os textos que meus leitores da internet já conheciam. Então decidi escrever uma história mais longa, foi assim que o Pássaro nasceu. Em 2016 eu entrei em uma outra oficina do Marcelino, mas essa era uma oficina-concurso, que proporcionava a publicação do livro que fosse escolhido. Foi assim que eu consegui publicar o Pássaro, e esse processo durou um ano e alguns meses. 


Quais são suas maiores referências de leitura? Seu estilo de escrita foge do tradicional. Além disso, quem são os autores e autoras que você recorre também muito, por admiração e busca por inspiração?


Clarice Lispector, Hilda Hilst, Fernando Pessoa, Herberto Helder, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Patti Smith. São artistas que venero, entre outros. 


Para encerrar, conta para a gente: o que você ama fazer quando não está lendo e escrevendo?


Essa é fácil: dirigir ouvindo música, de preferência em uma estrada com pouco movimento.  

Por fim, fazemos um bate-bola rápido e divertido. Vamos lá:


Manhãs ou noites?
Manhãs. 


Bebida favorita?
Suco de melancia. 


Série ou filme que você ama?
O filme Trama Fantasma. Sociedade dos poetas mortos, também. 


Qual música ou artista não para de escutar?
Letrux. 


Tem algum livro que te marcou muito, ou está lendo algum título que recomenda?
Stoner, do John Williams.


Um conselho ou mantra que leva para a vida:
Levar a sério minhas paixões.  
 
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