• Stephany Melo

Chica da Semana #100: Paula Medeiros e um olhar por dentro da nossa amada newsletter!

Paulinha é das amigas que a internet - no caso o Chicas - me deu! E por isso o papo de hoje não poderia ser mais especial: além de ser uma comemoração à centésima edição da newsletter (uhuu!), é um olhar por dentro do trabalho que você acompanha toda sexta-feira às 7h da manhã. Escritora, editora, criadora do Chicas & Dicas, de um perfil no Instagram de receitas veganas fáceis e perfeitas e fã de música pop das melhores, ela deu um 360º na história do projeto e de si nesse papo. Pega seu café e vem conferir:




A gente já se conhece (e algumas chicas também), então vamos fazer essa apresentação de um jeito curioso: quem é a Paula quando ninguém tá olhando? Conta um pouco da sua vida e sobre você!


Quando ninguém está olhando mesmo, eu sou a pessoa que fica dançando e dublando as cantoras pop preferidas na frente do espelho, haha. Tenho uma eterna adolescente em mim, mas acho que todo mundo tem de certa forma, né? Nasci e fui criada em São Luís (MA), mas meio que saí de lá desde os meus 10 anos de idade, com algumas idas e vindas pelo caminho, incluindo Portugal, onde fiz ensino médio e onde meus pais moram há mais de 15 anos. Eu me acho uma pessoa super tranquila, mas tenho um pouco fama de brava. Acho que é por ser muito firme em algumas coisas, e assertividade em mulheres costuma ser bastante confundida com braveza, né? Mas se antes eu ficava meio chateada com certas coisas, hoje enxergo de outra forma. Se “ser brava” significa ser fiel ao que eu acredito e valorizar a mim mesma, tá valendo pra mim. Que mais? Amo conversar (sou meio tagarela), amo cozinhar, amo música, amo ler e escrever (esse último nem sempre, rs)... E amo demais ficar com minha família (noivo e cachorros) fazendo nada ou viajando por aí!


E quem é você entre as sextas-feiras do Chicas? O que você faz?


Eita, pergunta difícil, isso anda confuso, rs... Vou contar o que tem sido ultimamente, ok? Minha formação é em Editoração e eu praticamente sempre trabalhei em editoras ou com texto de alguma forma. Hoje sou autônoma e tenho focado também em escrita, ou tentado. Essa semana, por exemplo, antes de parar para fazer o Chicas eu entreguei dois freelas. Um deles foi escrever para um blog, tive que escrever e revisar alguns posts e isso demorou uns dias. O outro freela foi a entrega parcial de um trabalho que ofereço para autores autônomos, de atuar meio que como uma editora particular em seus livros. Eu faço uma revisão do texto e comentários e sugestões para a história ficar mais redondinha e o autor ter um olhar externo bem detalhado. É um trabalho mais longo, dependendo do tamanho do livro, mas que eu gosto bastante de fazer, porque essa troca é interessante e é muito legal ver um projeto de livro criar forma de um jeito que o autor vai ficando cada vez mais feliz. Mas a verdade é que agora estou querendo diminuir os freelas todos e focar mais no Chicas, então vamos ver se isso vai dar certo, porque tem muita coisa envolvida!


Eu sempre quis perguntar essa: de onde veio o nome “Chicas & Dicas”? E por que o espanhol?


Amiga, boa pergunta. Risos. A verdade é que quando eu pensei na newsletter, a primeira coisa que precisava era pensar em um nome, né? Aí bateu aquele desespero, só tinha ideia ruim. Mas fui pro bom e velho brainstorm, peguei um caderno e comecei a escrever um monte de coisa aleatória mesmo. Brainstorm é um negócio meio ridículo de fazer, porque você tem que escrever mesmo as coisas que acha nada a ver. Mas de certa forma elas vão te levar para outros lugares e as ideias vão surgindo. Eu sinceramente não escolhi espanhol, assim, de propósito. Eu só sabia que eu não queria pôr um nome em inglês, isso eu tinha certeza. Mas quando tentava algo em português eu não achava nada legal… eu nem sabia do “dicas” ainda, mas os nomes que pensava com “garotas, mulheres, meninas” simplesmente não me soavam legal. Tinha que ser aquela coisa de você ouvir e dizer: “putz, é isso”. E vou falar, viu… quando você acha o nome certo, as outras pessoas gostam de cara! Ao menos foi assim comigo. Eu tive várias ideias no processo que até me empolgava (mais pela euforia de querer resolver logo!) e eu via que as pessoas não curtiam assim de imediato, rolava uma pensadinha, um esforço, rs. Mas quando surgiu a ideia do “chicas”, já começou a soar mais legal de verdade. E em algum momento que não lembro qual, eu pensei no “dicas” e achei que a rima ficou perfeita Aí desde que falei esse nome em voz alta, pronto, ficou resolvido! Eu amei e todo mundo para quem eu perguntei também amou. Ainda mais por ser um tanto autoexplicativo. Fiquei bem feliz. Aliás, esse nome hoje em dia está devidamente registrado por lei!




Qual foi sua principal motivação para criar um espaço assim? O que te faz continuar?


Minha principal motivação para começar foi a frustração profissional e o tédio criativo, rs. Falando sério, eu sempre quis ter um projeto meu, mas o tempo foi passando e nada. Pouco antes de criar a newsletter, eu estava decidida que teria um site, esse era o projeto inicial. Mas como manter um site com conteúdo dá muito trabalho, a ideia se estendia demais no papel e nunca chegava na realidade. Já a ideia de fazer uma newsletter foi uma coisa diferente de tudo. Eu sou meio ansiosa, e quando quero algo eu vou com tudo! Então quando resolvi que seria uma newsletter eu comecei na primeira semana que pensei no projeto. Era uma coisa muito mais fácil de se fazer do que um site, e me empolguei com isso. Uma amiga minha me ajudou muito no começo e outra amiga fez a identidade visual e a logo. Daí para frente, foi rolando. Mas já tive meus momentos de exaustão em alguns momentos, mesmo sendo algo semanal. Demanda muito mais horas do que parece, sabe? Com o tempo, fui aperfeiçoando aqui e ali algumas coisas, mas ainda tem muitas outras que quero fazer e mudar. E sobre a motivação em continuar, algumas coisas… Eu gosto do conteúdo, eu adoraria receber uma newsletter assim, é o tipo de coisa que eu consumo. Eu sei que o Chicas cresceu totalmente de forma orgânica e isso me faz ver que o projeto faz sentido para mais gente também, o que me dá uma energia. Fora as mensagens que eu recebo depois de cada edição. Eu gosto e acredito no projeto, resumindo. É cansativo? É. Já pensei em desistir também. Mas ainda estou acreditando que tem muita coisa boa para vir, então seguimos!


Qual a coisa mais legal/marcante que já aconteceu com você a partir do Chicas? E uma coisa não tão boa assim, tem?


O Chicas me trouxe algumas amizades muito legais e isso foi especial demais. Você é uma delas, por exemplo! Agora a coisa mais legal em termos de ser inusitada que já aconteceu foi ter sido chamada para um podcast do HuffPost. Uma jornalista de lá entrou em contato comigo por causa do Chicas e me convidou para uma pauta que falava sobre essa vontade do jovem de ficar cada vez mais em casa, rs. Foi bem legal esse dia, mas a parte triste é que esse episódio nunca foi para o ar, porque ele estava programado para uma data quando já tinha começado o isolamento… e bom, claro que não faz sentido falar sobre ter vontade de ficar em casa quando isso virou obrigação pra todo mundo. Mas quem sabe em um futuro próximo? Também fui chamada para outro podcast, de uma amiga, e eu amei participar. Gente, sou uma ótima podcaster, me convidem! Eu levo até um guacamole top, prometo. Mas enfim, sobre coisas não tão boas… acho que tirando o cansaço de alguns dias, sinceramente não tive coisas ruins, só tenho a agradecer. Chicas é só amor. Nunca recebi hate. Acho que as minhas leitoras entendem meus posicionamentos e concordam com muita coisa, e só recebi um único e-mailzinho na vida de uma menina incomodada com meus posicionamentos políticos. De resto, só mensagens carinhosas. E também já recebi um ou outro toque de leitoras me alertando para coisas que não foram muito legais, e foram toques que tinham que ser dados mesmo, então só agradeço pela lição. Acho que o único momento chatão mesmo que tive foi quando discuti com uma leitora (ex-leitora?) por uma coisa que me incomodou, mas passou, rs.




E você também tem um perfil no Instagram para compartilhar receitas veganas. Como esse estilo de alimentação começou pra você e como o perfil surgiu no meio de tudo isso?


Sim, tenho o @eatplanty no insta. Mas anda parado, viu?! Eu acho que criei o perfil pouco tempo depois me tornar vegetariana estrita, em 2015. Mas já não comia carne desde 2013, e se tem uma decisão que foi maravilhosa na minha vida foi essa. Eu sempre tive vontade de ser vegetariana, mas fui criada como todo mundo e foi um processo para mim também, conseguir entender como reinventar totalmente algo que parecia ser a única regra. Mas tentei e deu muito certo. A minha vida mudou mesmo, porque eu passei a enxergar tudo de outra maneira, incluindo saúde. Minha relação com a comida no geral se tornou algo muito mais saudável e prazeroso. Quando eu criei a página do insta, eu tinha acabado de me consultar com uma nutricionista especializada na área (a Paula, que entrevistei pro blog!). Criei o perfil não só para registrar minha jornada mas também para partilhar receitas e mostrar para os outros como comer bem dessa forma era possível, fácil e delicioso. Eu não sou nem um pouco uma pessoa espiritual, mas acho que o que sinto por não comer animais é o mais próximo de alguma espiritualidade que vivencio. Isso me levou a um lugar de pertencimento, algo que faz tanto sentido... e que faz tão bem a mim, aos animais, à natureza e ao mundo. Tenho muitas amigas e amigos que conversam comigo nessa tentativa de comer menos bichos e derivados, e eu adoro essa troca e me esforço para ajudar ao máximo, afinal foi pela troca com outras pessoas que eu mesma consegui motivação e tive as respostas que eu precisava.


Essa é pras escritoras de plantão: quais são suas dicas de expert pra quem quer desenvolver a escrita? Pode passar as dicas de livros, filmes etc, mas tem que ter dica sua também, hehe.


Haha, até parece! Ai, escrita é um processo tão pessoal. Depende muito do que você gosta, das suas intenções. Eu acho que a primeira coisa a se pensar é aquela história de criar intimidade com as palavras. É clichê mas é real: para escrever, tem que ler. Ler muito, ler coisas variadas. Não tem como evoluir na escrita sendo uma pessoa que não consome escrita. E depois, não ficar só no plano das ideias, mas botar no papel, literalmente, nem que seja um pouquinho todo dia. Eu fiz alguns cursos de escrita nessa vida, e acho que aprendi uns macetes técnicos que pessoalmente me ajudam muito. São coisas que eu penso enquanto estou escrevendo, sabe? Tipo, sei lá, evitar frases excessivamente longas, para não perder o leitor ou evitar adjetivos demais. Acho que tem lugar onde algumas dicas técnicas cabem muito bem, funcionam de verdade, mas como te disse, isso é relativo. Dependendo do texto, o que a gente mais precisa é se livrar de regrinhas. Eu acho que qualquer curso de Escrita Criativa com alguém de confiança é um bom primeiro passo para você conhecer o seu “eu escritor”. Eu fiz alguns, mas o último que fiz logo antes da pandemia foi o da Ana Holanda. Ela tem feito online agora, eu acho. Para quem não conseguir fazer o curso, eu recomendo o livro dela porque ela fala muito dessa escrita da vida real, aqui e agora, simples e honesta, sabe? Você não precisa ter uma inspiração divina ou uma ideia genial, só precisa escrever. No livro, ela traz uns exercícios de escrita bem práticos e legais, baseados em coisas cotidianas. Agora uma série que eu amo demais e me inspirou muito a escrever foi Jane the Virgin. A protagonista sonha em ser escritora, e achei muito lindo e verdadeiro como eles tratam o processo dela de se reconhecer como escritora, incluindo todas as alegrias e frustrações. Sério, é demais. Mas a minha dica maior mesmo é entender o que você gosta de ler, e analisar o que você gosta naqueles textos. Ah, e eutenho um diário, e acho que é um jeito bem legal de treinar escrita também!


E nosso queridíssimo bate-bola:

Manhãs ou noites? Manhãs, sem dúvidas. Eu amo acordar cedo e aproveitar esse clima silencioso e gostosinho das manhãs.


Alguma música que não consegue para de ouvir? Muitas! Eu ouço os mesmos álbuns que amo o tempo todo. Mas só para citar algumas específicas, qualquer uma da Maggie Rogers ou da Taylor Swift, como por exemplo Dog Years (da Maggie) e Getaway Car (da Taylor).


Bebida favorita? Alcoólica, vinho. E não alcoólica, café e água com gás com limão e gelo, hahaha.


Série ou filme que ama? Difícil escolher, mas vamos lá: Outlander (série) e A sociedade literária e a torta de casca de batata (Filme).


Está lendo algum livro no momento ou quer nos contar um título que te marcou muito? Estou lendo “Entre o mundo e eu” agora, comentei lá na newsletter passada. Agora um que me marcou muito. Vou citar “a máquina de fazer espanhois” do Valter Hugo Mãe, e o clássico “A história sem fim”, que eu só fui ler tipo ano passado, e achei absolutamente incrível.


Algum conselho ou frase que é como um mantra para você? Quando eu era pequena e perguntava para a minha mãe o que significava meu nome, ela sempre dizia “forte e corajosa”, mesmo não tendo nada a ver, haha. Mas ela disse isso para mim infinitas vezes na vida. Me marcou muito, claro, e acho que levo isso como um mantra? Algo que tento me lembrar mesmo quando não me sinto nada disso.