Chica da Semana #93: Carol Caliman e um papo sobre moda, carreira e maternidade em meio à pandemia

O papo de hoje começou com um e-mail. A Carol Caliman me escreveu contando como gosta da newsletter e se disponibilizando para uma eventual conversa sobre maternidade e sobre o trabalho que ela faz na Assinatura De Estilo. Vi de cara toda a simpatia e qualidade ali no trampo dela e na hora já a chamei para conversar. O resultado está aqui!



Apresente-se um pouco para as chicas, Carol.

Eu sou a Carol Caliman, acabei de fazer 39 anos, sou advogada de formação e trabalhei como advogada por muito tempo, mais de 10 anos. Sou nascida e criada em São Paulo, sou mãe do Rafael (que acabou de fazer 6 anos) e da Marina (que fez 4 agora também). Pois é, todos nós fizemos aniversários na quarentena. Estou no meu segundo casamento, sou casada há quase sete anos e vou fazer também aniversário de casamento na quarentena, então temos uma quarentena muito festiva por aqui, já contando também com o dia das mães. Fugindo do trabalho, eu gosto muito de dançar, faço balé, jazz, videodance... adoro muito, sempre gostei mas estou parada há um tempo e vou ficar ainda mais por conta da quarentena. Sou uma pessoa que pensa em tudo muito rápido, vivo divagando, sou também meio nervosa e impulsiva, mas extremamente organizada e fiel até o fim da vida. Se você é minha amiga, é nois contra o mundo, tamo junta. Em que momento essa advogada de formação resolveu virar o jogo e abrir uma empresa de consultoria de estilo? Há quase seis anos, larguei a advocacia para ser consultora de estilo e fundar minha empresa, que nasceu como empresa de consultoria, mas agora também é de produção de conteúdo na internet. Essa profissão nasceu quase que como um hobby que foi tomando forma, porque sempre fui aquela amiga que as outras amigas chamavam para ir no shopping ou para ajudar sobre o que vestir em um date... Minha mãe mesmo nunca escolhia uma roupa de casamento sem falar comigo (e continua assim até hoje, não escolhendo, rs).


Como você e a Carlinha resolveram iniciar esse trabalho em conjunto? Já se conheciam antes e pensavam sobre isso?

A gente se conheceu no curso de formação de consultoria de estilo. Ou seja, a Assinatura de Estilo existe há praticamente o mesmo tempo que a gente se conhece, olha que louco. Primeiro a gente ficou trocando ideias, saindo para almoçar, conversando sobre o mercado e sobre fazer transição de carreira, essas coisas... e aí nesse processo fomos “namorando” a ideia de virarmos sócias, porque nenhuma das duas queria trabalhar sozinha. Na época, eu e ela já tínhamos cada uma um filho e ambas pensavam em ter o segundo. Por fim, a gente resolveu se unir e fomos nos tornando amigas de verdade durante o processo de criar a Assinatura de Estilo. Somos bem amigas hoje. Somos muito diferentes – mesmo! –, mas temos muita afinidade. Temos valores semelhantes, mas visões de mundo bem diferentes. Muita gente no Instagram pergunta se somos casadas, rs, acho que pela nossa afinidade ser bem forte mesmo. A gente pensa na moda juntas como autocuidado e força interna.

Muita gente pensa em sair de São Paulo para criar os filhos. Você chegou a considerar essa ideia com a maternidade, ir para um lugar menor, como o interior? Como é para você criar as crianças em SP?

Eu amo essa cidade e dificilmente sairia daqui, toda minha família e amigos estão aqui e nunca passei que poucas semanas fora daqui. O meu maior tempo longe foi quando fui a Moscou, a trabalho, na época que era advogada, porque fiquei um mês lá. No meu caso, estar em São Paulo não é um problema, mas entendo que é para muita gente. Nós temos uma programação familiar sempre muito intensa, e é uma coisa que sentimos muito agora na quarentena. Eu confesso que sou uma mãe um pouco “preguiçosa”, não tenho muito saco de levar criança para shopping por exemplo, até porque trabalho muito por lá, a não ser para o cinema. A gente na verdade sempre tem a agenda cheia com amigos e família, um aniversário, um almoço...O fato é que toda minha rede de contato está aqui, então eu não iria para o interior. Meu marido já tentou, mas nem para Alphaville eu topei ir. Mas claro, estou numa parcela muito privilegiada da população. Meus filhos vão para a escola praticamente integral, sou sócia de clube, moro num condomínio com estrutura para criança, etc. Além disso, meus filhos ainda estão sob nossas asas, mas quando ficarem mais velhos e tiverem que transitar mais sozinhas, sair sozinhos, aí já não sei bem como vou lidar, mas ainda vai demorar um pouco para esse momento e espero que as coisas estejam mais seguras até lá, mas não dá para saber como vai ser, então... “nunca diga nunca”, né? Conta para a gente um pouco sobre como tem sido sua experiência com o isolamento? E como foi ter mudado da noite para o dia para o home office, ainda mais com as crianças em casa, em vez da escola?

A primeira semana de distanciamento eu chorei todos os dias. Chorei com medo de não ter grana, medo de ficar sem ver meus pais, medo do meu trabalho se tornar irrelevante... Não sou partidária de “faça o que você ama e nunca mais trabalhe, porque sempre é trabalho, tem perrengue, sabe? Mas não me vejo fazendo outra coisa e gosto muito do que faço. A verdade é que não tenho nenhuma reclamação a fazer, considerando tantos cenários muito mais desafiadores que vemos por aí, e considerando o companheiro que tenho que se dedica inteiramente a tudo por aqui. O maior desafio é por eu ser empreendedora, e não a dinâmica familiar que tenho. Já tínhamos tido aqui em casa um começo de ano meio perturbado porque meu filho teve Influenza e já tinha ido poucos dias para a escola antes disso tudo. Depois de uns 15 dias, conseguimos nos acertar melhor com o ritmo aqui em casa e no trabalho. A gente esquematizou um abril relativamente previsível em termos de trabalho, trabalhando por bem menos horas para fazer as mesmas coisas. Minha filha de 4 anos está de férias, vale dizer também. Abril fluiu bem, mas agora meu marido às vezes tem que sair para trabalhar, apesar de não todos os dias. Nesses dias, não tem jeito, o home schooling do meu filho fica todo comigo. Não está sendo fácil, mas organizar o dia em blocos tem facilitado.

Agora a gente quer saber: o que podemos esperar da Assinatura de Estilo? Que serviços vocês oferecem?

A empresa fez cinco anos agora e a gente nasceu como Consultoria de Estilo, mas fomos evoluindo e abraçando outros formatos e nichos de trabalho. Uma coisa que estamos fazendo muito na quarentena é consultoria de estilo online. Também fazemos análise de cor online, e a gente sabe que tem consultora de estilo que não faz, mas a gente desenvolveu uma metodologia que nos permite garantir segurança no resultado, e já fizemos mais de 700 dessa forma, e temos feito bastante isso, por ser um “serviço de entrada” com um valor bem abaixo de outros. É um jeito legal de se descobrir e trabalhar o próprio estilo, até porque a nossa linha é muito voltada ao autoconhecimento, uma maneira de você se conectar consigo mesmo, então consultoria online e análise tem acontecido muito agora. Fora isso, temos feito também mentorias para profissionais da área que querem migrar para o online. Outras coisas que também tem rolado bastante são cursos rápidos!

Pode falar um pouco mais sobre os cursos que estão rolando agora?

A gente fez por exemplo um curso sobre como fazer compras dentro do próprio guarda-roupa, que são desafios diários para achar novos looks no acervo que as pessoas já têm. Esses cursos rolam por whatsapp, têm um valor mais baixo e a gente repassa ali ensinamentos diários, por meio de vídeos, textos, fotos etc. Rola uma super troca no grupo entre nós e entre as alunas. É um jeito também de se conectar com outras pessoas nesse momento, então tem sido muito legal para a gente e imagino que para muita gente que está dentro de casa sozinha, principalmente.

Qual tem sido o foco da produção de conteúdo de vocês?

Estamos trabalhando muito em nossa produção de conteúdo sem cair na alienação, porque falar de “look do dia” puro e simplesmente não faz sentido agora, né? Mas podemos falar de home office, de como passar um batom vermelho pode te tirar de um dia “fuén”, porque cara, a gente fez essa experiência e é incrível mesmo você lavar o cabelo, passar um batom vermelho... a coisa muda de figura, funciona para muita gente! Para mim, já vi que faz uma baita diferença. Então estamos focados muito nisso, em incentivar as pessoas a se vestirem para si mesmas, ou em incentivar aquela galera que sempre “ah nossa, acho lindo isso e aquilo, mas não tenho coragem...”, porque agora é a hora! É a hora de fazer testes, experimentar, misturar cores e looks, fazer penteados etc. Você está privada do julgamento do outro, então por que não usar isso? Se você tem que se vestir de manhã, por que não fazer um exercício e aprender alguma coisa sobre você, sobre seu acervo, ao longo desse período? Temos incentivado muito isso. Outra coisa importante é que nós continuamos batendo muito na tecla do consumo responsável, porque desde sempre essa foi uma bandeira nossa, lá desde quando começamos a trabalhar mesmo. A gente vê que está todo mundo falando hoje sobre isso, mas muita gente está “surfando na onda” do assunto. E nós realmente falamos disso desde que abrimos, e estamos reforçando esse ponto, porque quem está com a gente há mais tempo sabe que falamos muito e desde sempre sobre isso.


Para finalizar, vamos ao nosso bate-bola: Manhãs ou noites? Manhãs.

Alguma música que não consegue parar de ouvir? Amo música pop dos anos 80.

Bebida favorita? Vinho.

Série ou filme que ama? Tô doida em Casa Das Flores (acabando a terceira temporada, que não é a mais legal, mas vale pela paulina, que tem o melhor figurino da série) e maluca pra voltar The Politician.

Está lendo algum livro no momento ou quer nos contar um título que te marcou muito? Estou lendo a trilogia da Dra. Isabele anchieta sobre as imagens da mulher no ocidente moderno.

Algum conselho ou frase que é como um mantra para você? Ninguém "tem que..." nada.