• Taize Odelli

Como Começar a Gostar de Ler



Eu tinha 14 anos quando um exemplar de Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban caiu nas minhas mãos. Óbvio que eu já tinha lido outras coisas antes e gostado da experiência, só que meu entretenimento favorito na época ainda era a TV. O que é bem horrível, vamos ser sinceros, pois nem sequer tinha TV a cabo na época. Sério, quantos momentos de tédio eu vivi porque não tinha nada de bom para ver.


Aí, numa manhã no colégio, uma colega apareceu com esse exemplar de Harry Potter que seria doado para a nossa biblioteca. Peguei de curiosa e comecei a ler na aula mesmo. Levei o livro para casa, e li durante toda a tarde – as tardes sempre eram livres pra mim. No dia seguinte, já estava quase terminando a leitura.


Foi a partir daí que a leitura virou um hábito de verdade.


Baixei os outros volumes da série de J. K. Rowling, confesso – desculpa, mercado editorial, mas era o único jeito, já que quase não tinha livraria por perto e meus pais só foram comprar os livros para mim um ano depois. Depois de terminar várias leituras de Harry Potter, comecei a frequentar a biblioteca pública de Indaial, em Santa Catarina, onde a bibliotecária wicca me indicou as histórias sobre o Rei Arthur, como As brumas de Avalon, e outras coisas cheias de bruxas. E desde então, até hoje (oi, tenho 30 anos), sempre estou lendo alguma coisa.


Penso agora que só me interessei mesmo por aquele volume de Harry Potter porque eu já tive algum contato mais próximo com a leitura antes. Aos 10 anos de idade, eu era fissurada num livro chamado Duendes e Gnomos, da Heloisa Prieto, que reunia lendas e seres mágicos acompanhados de ilustrações lindas. Na biblioteca da escola, nessa época, eu vivia procurando por esse livro e pelas revistas Superinteressante, pois adorava as matérias sobre o espaço e ciência.


Com 12 anos, li uma versão resumida de Os miseráveis, de Victor Hugo, que me impactou demais. Meu gosto pela leitura já estava aí, mas ainda não era essa coisa tão presente. Porque eu ainda não tinha encontrado aquela história que despertasse em mim as mesmas sensações que sentia vendo, sei lá, Sakura Cardcaptors.


Mas Harry Potter fez isso.


Quando me pedem indicações de livros para quem quer começar a gostar de ler, sempre digo para as pessoas procurarem histórias sobre temas que elas já gostam.


Pense nos filmes que você vê no cinema, nas séries que assiste na Netflix. Sempre terá um livro com uma pegada parecida – isso é, se a série/filme não já tiver sido adaptada de um livro, né.


Acompanhe o que outros leitores estão lendo e recomendando, para criar aquela vontadinha de saber o que é que aquela história tem. Não se cobre a ler x páginas por dia, x livros por mês, porque a leitura não tem que ser uma meta a atingir, e sim um entretenimento que te traga prazer e relaxamento.


Eu iniciei essa “vida de leitora” desse jeito: não lia para aprender, não lia para ~edificar minha mente~, não lia à procura da beleza estética – apesar de encontrar tudo isso nos livros. Eu lia para me divertir. E se divertir tem que ser o objetivo principal da leitura. É tão mais fácil construir esse hábito quando ele não vem junto com a sensação de obrigação.


Então, para quem quer ler mais, a dica é essa:


Procure boas histórias, não se cobre e se permita descobrir livros para te entreter. Claro que, se para você é meio difícil começar, estabelecer alguns objetivos pode ajudar – como definir um horário e local do dia para ler, ou até se dar uma recompensa a cada x páginas lidas. Mas não trate a leitura como um game ou um trabalho.


Só leia para passar o tempo e para se divertir.


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Taize Odelli é autora do blog r.izze.nhas e da newsletter sou meio vagabunda, mas sou boa pessoa. É formada em jornalismo e trabalha com redes sociais.